E não chegamos na metade (28/04/2025)

De pé: Anthoni, Enner Valencia, Bruno Henrique, Vitão, Nathan, Victor Gabriel; agachados: Ronaldo, Bruno Tabata, Alan Patrick, Wesley e Bernabei – o time colorado que venceu o Juventude pela 6ª rodada do Brasileirão [26.04.2025] (Foto: Internacional/divulgação; Disponível em: flickr.com)

Um resumo dos jogos do Inter pós-título gaúcho nestas últimas seis semanas, que mais parecem seis meses encapsulados

É um teste à última potência. No último sábado (26), o Inter chegou ao seu nono jogo em uma sequência de 20 jogos que terão sido realizados desde o dia 29 de março, quando o Inter estreou no Brasileirão contra o Flamengo no Maracanã. O décimo, pela estreia na Copa do Brasil nesta terça (29), será com o time cearense xará do estádio mais famoso do mundo no Beira-Rio. Ao final desta outra metade da maratona – dia 12 de junho, na última partida antes da parada para o Super Mundial -, terão decorrido 75 dias desde o início desta insana sequência, com média de duas partidas por semana mantendo o “quarta-domingo” na rotina das equipes ainda presentes nas copas e no campeonato nacional.

Nenhuma equipe no futebol brasileiro, porém, nem mesmo o Palmeiras que fez um bom acréscimo ao seu elenco no início do ano, seria capaz de sustentar um time titular com poucas mudanças ou sem variações. Foi neste contexto que o próprio alviverde paulista venceu o Inter no Beira-Rio pela 4ª rodada do nacional com a adoção de um sistema com três zagueiros por Abel Ferreira. No caso vermelho, as linhas de 5 com Fernando fechando a zaga foram a alternativa de Roger Machado para ter mais a bola enquanto sob a pressão do ataque adversário.

Todavia, nada disso impediu sustos como o do jogo contra o Nacional no Beira-Rio que, até aqui, foi o grande solavanco mental da temporada para o torcedor. Um 3 a 0 contra até os 40 do 1° tempo foi um choque que poderia ter solapado com a estabilidade mental coletiva da equipe e comprometido o ano colorado. Porém, o 3 a 3 fora o tropeço na primeira fase – com gosto obviamente diferente do contra o Bahia na Fonte Nova na estreia – acabou reduzindo os danos e reforçando a capacidade de vencer as quedas de braço dentro de campo.

Tendo em vista que poderia ser melhor no quesito da qualidade de jogo, o Inter até aqui conseguiu ter alguns respiros. Três deles, no Beira-Rio, com três gols e um ponto em comum: grandes partidas de Alan Patrick. Foram assim as histórias contra o Cruzeiro quando ele abriu o marcador incrementado por Valencia e Borré, contra o Atlético Nacional com um hat-trick para ninguém botar defeito e contra o Juventude com três assistências em três cobranças de escanteio. O 10 é essencial para que os esforços não sejam em vão e que quando haja necessidade da preservação dos demais colegas, ele é peça fundamental para os resultados aparecerem.

Mesmo em momentos-chave como no último GreNal em que parecia que as coisas iriam desandar, ele botou a bola debaixo do braço e confirmou o gol de pênalti. Entre tantas reclamações vindas destes e outros, começaram na reclamação dos pênaltis e agora estão nos escanteios. Talvez tirando até a bola dos pés dele, com ele potencialmente fingindo jogar com o ar tal qual os guitarristas aéreos (sic), ainda encham o saco, mas jamais tirando a capacidade de decisão e visão de jogo dele.

Por isso, Roger Machado e Paulo Paixão tratam Alan, Vitão, Fernando, Bernabei, Anthoni e outros tantos outros como se fossem vasos de cristal caríssimos que precisam ser cuidados a todo custo. Certos casos, como os de Carbonero e, mais recentemente, de Victor Gabriel (que voltou com a corda toda) podem “entortar” o time e causar ainda mais trabalho em um cenário temporal que é avassalador.

Que possamos ter uma ótima sequência daqui em diante. Com uma classificação na Copa do Brasil, com a classificação para as oitavas da Libertadores e vislumbrando com o topo da tabela no Brasileirão. Saudações coloradas e, o mais importante: estamos de volta na CLV.

Tiago Pereira Lumertz